Instrutor RICARDO GOMES – 5º DAN
Ricardo Gomes, é natural do Funchal, nasceu em 26 de junho de 1978 e reside em Santa Cruz, Caniço.
É Engenheiro Informático de Formação e, atualmente, é professor de Informática.
Tem o curso de Treinador de Karate Grau III e é Instrutor da Associação Portuguesa de Karate Shukokai.
Ricardo iniciou o Karate em tenra idade. O seu pai alugava muitos filmes do Bruce Lee, do Chuck Norris e do Stallone e as cenas de luta “simuladas” era algo que se divertia a fazer com o seu irmão mais novo em casa.
Iniciou a prática do Karate Shukokai no início dos anos 90, com o seu pai e com o seu irmão, no Dojo do Clube Naval no Funchal, sob a orientação do Sensei José Mendonça da APKS (falecido em 2019).
Mais tarde, o irmão desistiu e Ricardo e o pai continuaram. O pai atingiu a graduação de 1º Dan, mas mais tarde também abandonou.
Ricardo manteve-se sempre ligado ao Karate e, desde cedo, aplicava-se a 100% nos treinos, procurando sempre dar o máximo de si. Tudo era uma novidade e, apesar dos treinos não terem correspondido ao que via nos filmes (até porque sabia que era tudo fantasioso) manteve-se sempre a treinar com dedicação. Sempre foi muito paciente no processo de aprendizagem pois sabia que havia um percurso a trilhar.
Sempre acreditou no Karate a longo prazo, pois nunca foi de desistir dos seus projetos. Sentia que o Karate era o seu escape e à medida que evoluía e se destacava dos outros, começava já a ser solicitado pelo seu Mestre, para ajudar com os menos graduados.
Apenas com 14 anos de idade e cinto azul, já assumia o início dos treinos antes do seu Mestre chegar. Já lidava com as crianças e na relação com os pais.
Por isso, o processo de ensino foi algo natural para Ricardo, pois o assumir crescente de responsabilidades no Dojo fez com que seguisse esse caminho da Instrução.
O papel efetivo de Instrutor / Treinador surgiu mais tarde, quando os cursos de formação da FNKP surgiram na Madeira e começou a dedicar-se à sua formação apesar de, nessa altura, ter interesse em dedicar-se quase em exclusivo à competição.
Depois, já no final dos anos 90, atravessou uma fase de alguma desmotivação e, para contrariar essa fase, pensou em abrir um Dojo, em conjunto com o seu colega de longa data, Bruno Menezes. No entanto, por uma ou outra situação, a abertura do Dojo não aconteceu nessa altura.
A partir de 2006/2007, Ricardo passou a assumir a plena responsabilidade do Dojo do Clube Naval do Funchal, assumindo o papel de coordenador da modalidade de Karate e responsável por aquele Centro de Prática.
Desde essa altura, o Clube cresceu, granjeando vários títulos nas competições da APKS, ganhando troféus de Melhor Escola durante 3 anos consecutivos e diversos títulos individuais.
Ricardo passou a representar a Seleção da APKS durante vários anos, obtendo várias classificações de pódio, quer a nível associativo quer federativo.
A partir de 1994, passou a participar mais ativamente nas competições Inter-estilos, tendo evoluído muito neste tipo de competições desportivas ao conhecer outras realidades. Sempre demonstrou esta capacidade de enfrentar novos desafios sem medo de perder ou de “fazer má figura”, pois considera que tudo faz parte do processo de aprendizagem e crescimento.
Dotado de uma capacidade e porte físico acima da média, marcando presença constante no escalão de pesados na disciplina de Kumite (Combate) é, em simultâneo, um competidor muito técnico e polivalente, com inúmeros recursos de alto nível, sendo por isso considerado um dos Karatekas mais completos da sua geração.
Para Ricardo, o Karate dá-lhe uma certa calma e tranquilidade, assim como o “distanciamento e uma resistência à dor” que lhe proporciona uma forma especial de encarar os problemas, inspirando segurança às pessoas que estão consigo e o respeito de terceiros.
A “minha forma de estar tem muito Karate dentro de mim”, “há alguma mística envolvente”.
Considera que a disciplina e o rigor, a componente cultural e o sentido de hierarquia são características que distingue o Karate dos restantes desportos.
Para Ricardo, é importante ser Instrutor, pois essa função acrescenta uma nova dimensão ao Karate. “Aprende-se muito ensinando.” “Cresci bastante enquanto Karateka e o que me motiva é poder ajudar os outros na sua vida, não apenas enquanto atletas, mas em se tornarem melhores pessoas no dia a dia, através do Karate”.
Caracteriza o seu grupo de alunos (Dojo) como sendo Heterogéno, Respeitador e de Amizade.
Sempre procurou enquanto Instrutor o respeito pela individualidade de cada um. Nunca impôs a sua personalidade aos seus alunos. “Eu ensino as palavras e eles constroem as frases”. “São muito heterogéneos, diferentes uns dos outros. Essa é a grande riqueza do Shukokai”
Confessa que na verdade “o Karate não é para todos”, pois exige dedicação e espírito de sacrifício, algo que muitos jovens não estão dispostos a fazer hoje em dia.
Considera que iniciativas da APKS como Family Supporters são excelentes, pois permite que os familiares se envolvam e contribuam para a vida associativa. Estabelece um paralelo com o que acontece na Madeira, pois os pais também são chamados a participar na organização dos eventos.
Na opinião de Ricardo, o #karatefazbem pois acima de tudo é uma prática de exercício físico e que contraria todos os aspetos sedentários da Sociedade, proporcionando Saúde, mantendo o corpo e a mente sãos.
E diz que o #karatefazfalta, principalmente nesta altura de pandemia. “Por vezes é necessário estarmos afastados do que gostamos de fazer para percebermos a falta, neste caso do Karate.”
Dos momentos marcantes no Karate destaca quando entrou no Dojo pela primeira vez e o fascínio que sentiu logo nessa primeira aula!
Também destaca quando obteve o seu cinto preto, pois recorda-se quando era muito novo ter experimentado um cinto preto em jeito de brincadeira. Muitos anos mais tarde, quando finalmente chegou esse momento, pensou “Hoje mereço!”
Outros momentos marcantes aconteceram em competições internacionais do Shukokai. Lembra-se do Campeonato em 2009 na Alemanha onde ficou em 2º lugar a nível individual, resultado que traduziu muito esforço e dedicação. Outra ocasião foi ser Campeão por Equipas no Mundial de Shukokai em 2014, na África do Sul.
Recorda, por fim, a “dureza” dos treinos de Seleção, da grande exigência física e psicológica que lhe era imposta e aos seus colegas nessa altura e que, hoje em dia, é menos frequente ver nos treinos de Karate, talvez por receio de impor esse rigor. “Eram treinos para nos matar!” No entanto, refere “foram também aqueles momentos de grande intensidade que me tornaram no Karateka que sou hoje!” e considera, por isso, que por vezes é necessário ter treinos assim para testar a atitude e a capacidade de sofrimento, pois “…os que ficarem, sabemos que podemos contar com eles!”

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